
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
domingo, 31 de janeiro de 2010
Uma tarde sobre os grafites

Alguns, surpresa, interferem no grafite com sua pichação, sua tentativa de assinatura.
Uma discussão emergiu acerca da atitude de criminalizar a pichação: Seria mesmo bacana interferir dessa forma nas expressões da cidade? São todas da mesma natureza? merecem o mesmo lugar?
Não me venham tratar os grafiteiros, artistas dos muros, das quinas, das passagens urbanas como marginais. Pensem nas formas torpes que se é preciso buscar para não ser invisível. Cada um busca uma assinatura no mundo, um lugar, uma identidade.
Será possível essa cegueira diante do lúdico?
Não tirem os grafites das minhas vistas. Sentirei falta das passadas de carro ou de ônibus por desenhos, assinaturas intrigantes e muito impressionantes.
BH não pode nem deve primar pelo punho de ferro. Temos problemas maiores que expressões criativas, decorrentes talvez, da vida na urbes.
Deixem os grafiteiros em paz! Deixemos que eles trabalhem, assinem, desenhem, coloram! Há de valer à pena!!!! Já vale! É só olhar.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
terça-feira, 22 de setembro de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
terça-feira, 11 de agosto de 2009
a última página
“Perdoa-me, perdoa-me a falta de forças, o cansaço, os meus quarentas anos, a pouca esperança e a nenhuma alegria... perdoa-me, porque não regressarei sem ti ao inocente bosque da infância. E dentro de mim tudo voltará a acender-se como os ossos à noite, nos cemitérios de automóveis.
E no centro duro da cidade, um grito. Nele morrerei, escrevendo o que a vida me deixar. E sei que cada palavra escrita é um dardo envenenado, tem a dimensão de um túmulo, e todos os teus gestos são uma sinalização em direção à morte – embora seja absurdo morrer.
Mas hoje, ainda longe daquele grito, sento-me na fímbria do mar. Medito no meu regresso. Possuo para sempre tudo o que perdi. E uma abelha pousa no azul do lírio, e no cardo que sobreviveu à geada. Penso em ti. Bebo, fumo, mantenho-me atento, absorto – aqui sentado, junto à janela fechada. Ouço-te ciciar amo-te pela primeira vez, e na tênue luminosidade que se recolhe ao horizonte acaba o corpo. Recolho o mel, guardo a alegria e digo-te baixinho: Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge”
Al Berto – última página de Lunário.
“Foi este modo de vida que me inutilizou. Sou um aleijado. Devo ter um coração miúdo, lacunas no cérebro, nervos diferentes dos nervos dos outros homens. E um nariz enorme, uma boca enorme, dedos enormes. [...]
Fecho os olhos, agito a cabeça para repelir a visão que me exibe essas deformidades monstruosas.
A vela está quase a extinguir-se.
Julgo que delirei e sonhei com atoleiros, rios cheios e uma figura de lobisomem.
Lá fora há uma treva dos diabos, um grande silêncio. Entretanto o luar entra por uma janela fechada e o nordeste furioso espalha folhas secas no chão.
É horrível! Se aparecesse alguém... Estão todos dormindo. [...]
E eu vou ficar aqui, às escuras, até não sei que hora, até que, morto de fadiga, encoste a cabeça à mesa e descanse uns minutos.”
Graciliano ramos – última página de S. Bernardo.
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
terça-feira, 4 de agosto de 2009
domingo, 2 de agosto de 2009
quinta-feira, 30 de julho de 2009
domingo, 26 de julho de 2009
sexta-feira, 24 de julho de 2009
quinta-feira, 23 de julho de 2009
terça-feira, 21 de julho de 2009
segunda-feira, 20 de julho de 2009
domingo, 19 de julho de 2009
sexta-feira, 17 de julho de 2009
quarta-feira, 15 de julho de 2009
terça-feira, 14 de julho de 2009
segunda-feira, 13 de julho de 2009
domingo, 12 de julho de 2009
sábado, 11 de julho de 2009
sexta-feira, 10 de julho de 2009
quinta-feira, 9 de julho de 2009
quarta-feira, 8 de julho de 2009
segunda-feira, 6 de julho de 2009
domingo, 5 de julho de 2009
sábado, 4 de julho de 2009
quando as imagens não dão gosto de ver
Roland Barthes, A Câmara Clara
sexta-feira, 3 de julho de 2009
rapaz comum
Mano Brown, malicioso e realista, está aqui, com os pés no chão. Sua mente vaga, ele mostra e assume sua precariedade, sua ambigüidade. Ele é gente. Sua letra é sua arma e ele visa não virá-la contra ele. Mas olhe, pelo que já ouvi, ele é um moço perplexo. Idealista, crente, meio pai, meio pastor ele é, fazer o que? Mas ele consegue divertir com conteúdo, seus companheiros sempre nessa com ele: pensando e se divertindo e aos “irmãos”. Lembrei dele: Viver, viver: essa é a meta!
O que me prova que ele não foi consumido: ele está vivo! Ele quer viver!
No contexto dele, nas letras de seu grupo, tudo que um negro pode fazer para degradar ainda mais sua raça é condenável. No lugar de ofertar-se como objeto do racismo, eles dizem que é melhor optar por honrar-se. A cor, a história, o lugar de origem.
É isso: tudo o que contradiz o imaginário pós moderno em que histórias e afetos precisam ser reduzidos. Porque muito pior que a pós modernidade é precisar bancar a imagem de pós moderno. Os outros, talvez os mais novos, devem achar que são 'pós'. Então, delicadeza, gentileza, amizade, companheirismo, tudo isso é muito 'oldfashion'.
Claro, sei que os rappers constituem grupos, querem militantes e militam. Mas bancam sua opinião com propriedade e implicação. A história de dificuldades e exclusão não impede Mano Brown de ter orgulho de si. Ele pode consumir, ele pode, sem perceber se dar a consumir. Mas não nos deixa roê-lo.
O que podemos dizer?
Será que não poderíamos dizer: Nós o matamos!
Será que dizer isso, ao comentar a morte do ídolo pop Michael Jackson, seria absurdo?
Penso que não.
A ilusão do sucesso e do dinheiro como garantias de uma vida, e de uma vida feliz faz, de histórias como a dele, mitos. Histórias que tentam explicar porque um astro milionário e talentoso pode tornar-se, nas mãos, olhos, ouvidos, bocas e dentes de seu consumidor, um resto, uma ruína.
Me estranha imensamente as revistas que o vangloriam, que tentam faze-lo um belo standard da fama. Como se me dissessem assim: é mentira que ele foi massacrado pelo pai, que ele estava sem sua face, sem sua cor, sem sua voz, sem seu corpo. Um destituído.
A música de antigamente era bem bacana, mas atualmente, ninguém lembrava dele.
Mas ele morreu, ele é pop, ele é conhecido por todo o planeta, logo temos que sofrer, lembrar. Tudo bem, no início até me voltei àquelas lembranças da presença dessa figura na minha vida, no meu pensamento. Lembrei de ouvir Bily Jean cantado por Caetano e sempre gostar, ouço muito ainda.
Lembrei dele criança e gostei do que vi. Um pequeno rapaz negro cheio de suingue, uma ebulição musical. Ali, ainda que esmagado pelo pai terrível ele era muito mais razoável e quem sabe mesmo, nessa época apenas, ele tenha sido feliz.
Já cheguei a pensar que ele era delirante, um louco a achar que é o Peter Pan, a comprar coisas estranhas e produzir notícias estranhas e confusas.
Ontem, todo mundo escrotizava o cabra, era um pedófilo, louco, vaidoso e racista.
Hoje, dizem que ele estava deprimido, dependente há muito de analgésicos, vítima da depressão, de outras doenças. Ele fez um acordo para livrar-se de um processo por pedofilia. Agora, porém, aguardemos. Mostram-no sem nariz, com o rosto desfigurado.
O que se evoca aí? Tenho a impressão, ao ver o rosto com o nariz roído que se pede para rirmos do trágico de nosso tempo. Quem o roeu: a vaidade, o vitiligo, uma doença, o consumo?
O pop é muito louco: não precisa de mensagem, é mera diversão. Efeitos, cores, sons, gestos, palcos. Vazios de qualquer outra coisa que não cumpra a função de celebrar a sensualidade mais rasa.
Oco de tanto ser pop, fico aqui elocubrando se ele não poderia ter pagado uma eutanásia. Seu corpo não se calou! Estava insuportável! Me lembro de Edith Piaf pedindo à heroína o silêncio do corpo. Mas o corpo grita!
Pode ter sido um louco perverso, ou uma pessoa sofrida, desorganizada em meio a tanta imagem, tanta especulação, tanta exposição do que poderia ter ficado ainda íntimo, sem a visão da câmera onipresente que o consumiu.
Lembro do pop star americano e penso que ele já não devia querer viver mais. Talvez imensos shows não fossem os motivos suficientes para manter o desejo de viver.
quinta-feira, 2 de julho de 2009
quarta-feira, 1 de julho de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
segunda-feira, 29 de junho de 2009
domingo, 28 de junho de 2009
sábado, 13 de setembro de 2008
Se eu fosse um cão...
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Marina Tzvietáieva
sábado, 6 de setembro de 2008
Khlébnikov

Uma vez mais, uma vez mais
Sou para você
Uma estrela.
Ai do marujo que tomar
O ângulo errado de marear
Por uma estrela:
Ele se despedaçará nas rochas,
Nos bancos sob o mar.
Ai de você, por tomar
O ângulo errado de amar
Comigo: você
Vai se despedaçar nas rochas
E as rochas hão de rir
Por fim
Como você riu
De mim.
(Tradução de Augusto de Campos)
terça-feira, 2 de setembro de 2008
domingo, 31 de agosto de 2008
Maiakósvski

Eu nunca tivera um terno. Tinha duas blusas, de aspecto miserável. Método já experimentado: enfeitar-me com uma gravata. Não tinha dinheiro. Apanhei com minha irmã um pedaço de fita amarela. Amarrei. Fiz furor. Quer dizer: o mais aparente e bonito numa pessoa é a gravata. Logo: se você aumenta a gravata, também aumentará o furor. E visto que as dimensões das gravatas são limitadas, lancei mão de esperteza: fiz da gravata uma blusa e da blusa uma gravata. Uma impressão irresistível.
(Tradução de Boris Shnaiderman)
segunda-feira, 25 de agosto de 2008
domingo, 24 de agosto de 2008
Como começou essa história...
Numa festa de formatura de antropólogos, anunciamos que éramos as russas, e nossos nomes não nos deixava mentir. Falávamos russo assim: Perestróika, Lispector, Dostoiévski. Bradávamos alto tais nomes como um novo idioleto.
Mais tarde, alguém perguntou pelas russas da festa.
Ficamos mais amigas, até que mais uma foi incorporada ao grupo. Ou melhor, nossa quarta russa já era russa há muito tempo.
Prezamos o convívio, temos esse compromisso de encontrar, dar boas risadas e cultivar a amizade.
As russas não são um grupo fechado, muito ao contrário. No entanto, esse laço é forte, constante, tecido por mãos entusiasmadas.
Uma amiga das russas que está sempre conosco aguarda um nome russo. Mas mesmo que outro nome não apareça, as russas não são um grupo fechado...
Estamos sempre abertas a uma boa companhia.
Homens são mais raros entre nós, mas temos os nossos amores que nos acompanham e inspiram.
Gostamos de poesia, de dançar, de boas festas e encontros, de literatura e psicanálise, história e filosofia, mas não dispensamos amenidades. Prezamos a diversão e uma boa conversa!
Com o tempo, fatos, fotos, palavras, poemas estarão desenhando um pouco desse encontro de mulheres, modéstia à parte, interessantes e singulares (graças à Deus!).
Aos visitantes, sejam bem vindos!
Minhas russas queridas: Viva pra vocês!














































